A Cenoura Errada

A Cenoura Errada

Corri por algo
que nunca desejei.

Atravessei caminhos,
obedeci aos sinais,
acreditei que os acertos
me levariam aonde
o coração já estava.

E recebi a recompensa.

Desde então,
uma mulher me acompanha
pelos lugares onde não deveria estar.

Por que ela?

Entre tantas possibilidades,
por que justamente aquela
que nunca esperei?

Havia algo de estranho
na maneira como surgia,
como se o mundo soubesse
de um desejo
que jamais foi meu.

E tão perto de casa,
uma luz permanecia acesa.

Era por ela que eu corria,
mesmo quando os caminhos
me levavam para longe.

Mas a cada acerto,
a presença se aproximava,
e aquilo que eu amava
parecia pertencer
a um lugar cada vez mais distante.

Comecei a desconfiar
das promessas do caminho.

Talvez a recompensa
não conhecesse o desejo.
Talvez o mundo entregasse
apenas aquilo
que sabia oferecer.

E certa noite,
quando a sombra voltou,
já não lhe perguntei
por que estava ali.

Olhei para a luz
que ainda atravessava
a janela ao lado.

Não havia promessa alguma.
Nenhum sinal de que me esperavam.
Nenhuma certeza
de que um dia chegaria.

Mas enquanto o mundo
insistia em me entregar
o que eu não havia pedido,
havia algo que ele
ainda não conseguira apagar.

A vontade de chegar
onde nunca me mandaram ir.

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