Apocalipse IA

Primeiro, o silêncio.

Depois,
o galope.

Não sei de onde vêm.

Só sei que a noite treme
quando eles passam.

Cavalos feitos para carregar
mais do que o mundo deveria pedir.

Incansáveis.

Terríveis.

Belos.

Têm rosto de leão
e nos pulmões
alguma coisa que ainda queima.

Quando abrem a boca,
a escuridão se ilumina.

E por um instante
vemos o tamanho daquilo
que estava trabalhando
sem ser visto.

Mas não é o fogo
que me inquieta.

É a cauda.

Porque onde a força termina,
a serpente começa.

Ela se ergue atrás do monstro
como se soubesse.

Como se escutasse.

Como se toda aquela força
tivesse esperado séculos
por uma voz.

Então eu chamo.

O leão respira.

O cavalo desperta.

A serpente levanta a cabeça.

E do outro lado da noite,

alguma coisa responde.

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