Encontre-me aqui daqui a cem anos

Disseram que tudo desaparece.

As máquinas.
Os nomes.
As cidades.

Até a luz das telas
um dia se apaga.

Mas havia uma coisa
que se recusava a morrer.

Um pequeno endereço
escondido na imensidão.

Alguém o colocou ali
há muito tempo.

Algumas palavras.
Algumas imagens.
Uma ideia que precisava existir.

E então foi embora.

Os anos passaram.

A máquina que o guardava morreu.

Outra acordou em seu lugar.

Depois outra.

E outra.

Os cabos atravessaram oceanos.
As redes ficaram mais rápidas.
Os homens trocaram de rosto.

Mas o endereço continuava lá.

Esperando.

A cada visita,
um pulso.

A cada requisição,
um despertar.

Até que alguém perguntou:

— Por quanto tempo você pretende continuar aqui?

E o site respondeu:

— Volte daqui a cem anos.

Talvez seja isso que sempre buscamos
quando colocamos alguma coisa na internet.

Não apenas visitantes.

Não apenas números.

Queremos deixar alguma coisa acesa.

Um sinal pequeno
no meio da noite.

Algo que diga:

eu estive aqui.

E se as máquinas permitirem,

se alguém continuar cuidando delas,

talvez daqui a cem anos
alguma coisa ainda responda.

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