Ele veste a melhor roupa.
Sorri na fotografia.
Recebe o prêmio.
Aplausos.
Muitos aplausos.
Por alguns segundos,
o brasileiro invisível existe.
Seu nome aparece no telão.
Seu rosto aparece no jornal.
Seu trabalho aparece no discurso
de alguém importante.
Ele, não.
Quando as luzes se apagam,
devolvem-no ao lugar de onde veio:
fora do enquadramento.
É curioso.
O país adora histórias
de quem venceu.
Principalmente quando pode contá-las
sem precisar convidar o vencedor
para sentar à mesa.
Então colocam uma medalha em seu peito.
Parabéns.
Agora desapareça.
Chamam isso de reconhecimento.
O Invisible BRA conhece outro nome:
camuflagem.
Ele aprendeu cedo
que existem pessoas que são vistas
e pessoas que servem
para que outras sejam vistas.
Por isso trabalha.
Cria.
Constrói.
Inventa.
Às vezes é premiado.
Às vezes seu nome atravessa o mundo
enquanto ele continua parado
do lado de fora da porta.
Talvez essa seja
a tecnologia mais avançada
que produzimos neste país:
não inteligência artificial.
Não realidade virtual.
Invisibilidade humana.
Transformamos pessoas em currículo.
Currículos em números.
Números em discursos.
E depois perguntamos:
— Onde estão essas pessoas?
Aqui.
Sempre estiveram.
Você apenas aprendeu
a olhar através delas.
INVISIBLE BRA
O brasileiro invisível.
Não é aquele que ninguém vê.
É aquele que todos viram —
e decidiram
que não precisavam enxergar.
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