Por que GA4 e WP mostra visitantes de cidades diferentes

Este tutorial deveria se chamar: Você aguenta a solidão? E vou mostrar o porquê e como resolvi isso.

Você abre o Google Analytics ou o Jetpack Statistics e encontra visitantes de várias cidades.

Uma cidade hoje. Outra amanhã. Às vezes várias no mesmo período.

A primeira impressão é boa: pessoas de diferentes lugares estão chegando ao site.

Até perceber que algumas delas podem ser você mesmo.

Foi exatamente o que aconteceu comigo.

O mesmo visitante pode aparecer em cidades diferentes?

Sim.

O Google Analytics não recebe do visitante uma localização GPS precisa. A localização geográfica apresentada nos relatórios é estimada, entre outros sinais, a partir do endereço IP associado à conexão.

E aqui começa a confusão.

Em conexões residenciais e principalmente móveis, a operadora pode utilizar IPs dinâmicos e infraestruturas de rede cuja localização registrada ou estimada não corresponde exatamente à cidade onde você está.

Assim, eu poderia acessar meu próprio site sempre do mesmo lugar e, no Analytics, meus acessos aparecerem associados a cidades diferentes.

Isso cria um problema especialmente grande em sites pequenos.

Se o site recebe milhares de visitantes, alguns acessos do administrador provavelmente terão pouco impacto. Em um site com tráfego menor, porém, acessar páginas, testar links, revisar artigos e conferir alterações pode distorcer bastante os relatórios.

E simplesmente excluir minha cidade não resolveria.

Amanhã meu acesso poderia aparecer em outra.

Pense assim:

A operadora dá o mesmo IP para muitas pessoas, mas para saber a localização ela precisaria do GPS, que normalmente não liberamos no nosso notebook ou navegador do celular. Então: o Google Analytics e o Jetpack Statistics tenta prever a localização toda vez que a mesma pessoa acessa.

Excluir meu IP também não resolveu completamente

Uma das maneiras tradicionais de remover o próprio tráfego do GA4 é configurar o tráfego interno e excluir determinado endereço IP. Desta forma:

Entre em (Ícone de Engrenagem do Google Analytics) > Coleta e Modificação de Dados > Fluxo de Dados > Definir as configurações da tag:

Depois em Mostrar Mais > Definir o tráfego interno:

Depois em > O endereço IP é igual a: (colocar seu IP) e salvar:

Depois ir em (Engrenagem) > Coleta e modificação de dados > Filtro de dados / e em Internal Traffic mudar de estado de Teste em Ativo. Assim, a partir de agora, todos os acessos feitos pelo seu IP não iriam ser contabilizados:

Isso funciona muito bem quando você possui um IP fixo.

Mas havia um problema no meu caso: o IP fornecido pela operadora podia mudar.

Eu poderia cadastrar meu IP atual no filtro e algum tempo depois estar navegando com outro.

Quando saísse de casa, a internet da operadora de celular iria mudar o IP novamente.

Além disso, tentar excluir cidades inteiras seria uma solução ruim. Eu poderia acabar removendo visitantes reais junto comigo.

Por exemplo, como sei que pouca gente mora na minha cidade do interior, resolvi pedir análisesexcluindo minha cidade.

Mas o grande problema: Excluir minha cidade não faz que o Analytics use o seu IP dizendo que veio de outra cidade.

Precisava fazer o contrário.

Em vez de tentar descobrir qual seria meu próximo IP, decidi fazer com que meus próprios dispositivos sempre saíssem para a internet pelo mesmo IP.

A solução que encontrei: VPN com IP estático

Passei a utilizar o Surfshark em meus dispositivos e conectá-los sempre através de um servidor com IP estático.

A lógica é simples:

Meus dispositivos → VPN → mesmo IP → site

Assim, independentemente do IP que minha operadora entregar naquele momento, o endereço que meu site e os serviços externos enxergam é o IP de saída da VPN.

Posso então cadastrar esse endereço como tráfego interno no Google Analytics e excluí-lo dos relatórios.

Em vez de perseguir os IPs da operadora, passei a controlar o IP que utilizo para administrar e testar meus próprios sites.

IP estático ou IP dedicado?

Existe uma diferença importante.

Um IP estático da VPN permanece o mesmo quando você se conecta àquele servidor, mas pode ser compartilhado com outros usuários do serviço.

Já um IP dedicado é reservado para você.

Para simplesmente criar um IP previsível que possa ser usado no filtro de tráfego interno, um servidor de IP estático pode ser suficiente. Porém, um IP dedicado oferece uma solução mais isolada e previsível, principalmente se você quiser evitar que outras pessoas compartilhem aquele endereço.

Indo direto na questão financeira: IP Estático na SurfShark não tem servidor no Brasil, o que pode ser problema se precisar utilizar serviços como streaming que precisa de IP brasileiro. Mas é muito econômico, você só precisará contratar o serviço mais barato deles (o primeiro plano).

IP Dedicado: possui servidores no Brasil, e apesar da SurfShark oferecer o IP Dedicado mais barato entre os concorrentes ela pede assinatura antecipada. No meu caso foi USD105 (dólares) por 28 meses (USD3,75 por mês).

E o Kill Switch?

Havia ainda uma pequena brecha.

E se a VPN desconectasse?

O dispositivo poderia voltar automaticamente para a conexão normal da operadora. Bastaria eu acessar o site nesse intervalo para o Analytics registrar novamente meu IP residencial ou móvel — e talvez me mandar para mais uma cidade imaginária no mapa.

Também algoritmos de atualização em segundo plano poderia gerar tráfego sem abrir o navegador.

Por isso também utilizo o Kill Switch.

Quando configurado adequadamente, ele impede que o dispositivo continue acessando a internet normalmente caso a conexão com a VPN seja interrompida.

Para o meu objetivo, a ideia é:

Ou navego pelo IP que excluí do Analytics, ou não navego.

Isso reduz bastante a possibilidade de meus próprios testes voltarem a contaminar os relatórios.

Configuração no Android

No Android você tem que se conectar ao servidor que desejar e depois em Conexão rápida selecionar Última localização usada. No meu caso não deu certo selecionar meu servidor de IP Dedicado, ele se reconectava a outro servidor brasileiro mais próximo com IP Rotativo.

Uso o CleanWeb para bloquear anúncios antes mesmo de chegar no meu computador, no servidor da SurfShark, o que também ajuda a economizar a bateria de processamento do meu celular. E ainda uso Edge com AdBlock ativado para arrumar o layout do site que visito quando o anúncio não está mais lá.

Deixo o Kill Switch ativado, e meu celular tem Kill Switch nativo que deixo habilitado para maior eficiência.

No Android eu usava o AdGuard, mas como ele cria uma VPN também, ele compete com o SurfShark. Então desliguei o AdGuard e alterei meu navegador padrão de Chrome para Edge, já que uso Edge junto com meu Windows.

Configuração iOS

No iOS se eu marcar conexão rápida para IP Dedicado ele sempre se reconecta no IP Dedicado.

Deixei todas as opções abaixo ligadas.

Mas no Safari eu uso o AdGuard junto já que no iPhone o bloqueador de anúncios não necessita criar uma VPN para filtrar banners indesejáveis.

Coloquei a VPN em todos os dispositivos que uso

Outro detalhe fácil de esquecer é que não adianta fazer isso apenas no computador.

Se eu abrir o site no celular para conferir o layout, testar uma página no tablet ou utilizar outro computador sem a VPN, aquele dispositivo continuará podendo aparecer no Analytics.

Por isso, configurei a mesma lógica nos dispositivos que utilizo para acessar e administrar meus sites.

Depois, basta manter o IP escolhido cadastrado corretamente como tráfego interno no GA4 e aplicar o filtro correspondente.

O mapa ficou menos emocionante — e muito mais verdadeiro

Antes disso, abrir o relatório geográfico podia dar uma impressão curiosa.

Visitantes daqui. Outros dali. Cidades que eu nem esperava alcançar.

Parte daquela viagem pelo mapa poderia ser simplesmente eu.

Depois de separar meu próprio tráfego, os números ficaram menores em alguns momentos. Mas também ficaram mais úteis.

E esse talvez seja o ponto principal.

No Analytics, dez visitantes reais valem muito mais como informação do que cinquenta acessos que você mesmo produziu enquanto trabalhava no site.

Às vezes, melhorar as métricas não significa fazer um número crescer.

Significa descobrir quem realmente estava por trás dele.

E para terminar com a pergunta que abrimos o artigo:

Você aguenta a solidão?

Veja abaixo o tráfego antes de configurar o filtro:

(Um único usuário ativo, sete sessões, gerando tráfego para São Paulo, Porto Alegre e Maceió).

No dia seguinte com o Google Analytics excluindo tráfego interno:

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